Este ano, a Campanha da Fraternidade promovida pela Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) traz como tema “Economia e Vida” e o argumento “Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro”. A ideia da CNBB é denunciar os equívocos do modelo capitalista, que tem no lucro o seu principal vetor, que favorece a poucos (os capitalistas) e gera desigualdades, miséria e até guerras. Há, também, a advertência de que o capitalismo é tão nefasto que um pequeno grupo de endinheirados de países fortes faz o mesmo com os países mais fracos. Estas ideias eram fortemente defendidas no século passado, notadamente pela teologia da libertação, de inspiração marxista. Segundo os líderes do movimento, na Quaresma cabe, portanto, levar os fiéis a refletirem sobre este perverso sistema econômico.

Como cristão, saudamos a Campanha da Fraternidade: é tempo de reflexão, como fez Jesus. Mas a exegese do texto bíblico precisa ser ampliada. O lema é apropriado, desde que se dê uma interpretação adequada ao “dinheiro”. Milhões de cristãos são empresários, nem por isso devem se sentir culpados. O “lucro justo” é a razão da empresa.

A empresa é uma unidade geradora de renda, de custos, impostos e, sobretudo, empregos. Nada é mais solidário e cristão do que dar emprego a alguém. Mas, afinal, o que é um “lucro justo”? O lucro justo decorre do cumprimento das leis do país. Se o empresário cumpre com a legislação trabalhista, social, previdenciária, opera dentro dos limites da legislação ambiental, paga seus impostos em dia, não há nisso nada de errado, ganhe o que ganhar. E os lucros são fortemente taxados no Brasil, de 35% a 50%.

A campanha deveria execrar os maus agentes econômicos, os sonegadores, os fraudadores, os maus gestores públicos, os mensaleiros, que fazem do dinheiro seu ideal.